19/03/2013 (09:19)

DESPEDIDA IMOTIVADA

Perdi o meu emprego

(*) Danilo Gonçalves Gaspar

 

 

 

Dizem que o trabalho dignifica o homem

Dizem que o amanhã sempre será melhor do que ontem!

Mas se eu perder o meu emprego?

Me contem...

Dizem que não posso ser dispensado de forma arbitrária

ou sem causa justa!

Dizem que a continuidade da relação de emprego é mais

que necessária!

Mas por que, então, fui dispensado de forma injusta?

 

Era um dia normal, dia de sol.

24 horas como de habitual.

Mas quando cheguei, o aviso: compareça ao RH!

Ah, já sei, salário melhor virá!!!!

 

Mas, ao chegar lá, o pior estava a me esperar.

Era uma carta, um papel, quase um pedaço de papel de pão.

Possuía meus dados, meu histórico, e se chamava “Termo de Rescisão”.

Motivo não tinha não, simplesmente escolha do meu patrão!

 

Mas o que fiz, afinal???

Envelheci, troquei de time, de opção sexual....

Nada disso, pelo que entendi, meu contrato

simplesmente chegou ao final.

 

Insisto, pergunto, questiono,

preciso saber,

afinal, o que direi àqueles que esperam

em casa por me receber???

 

Que fui dispensado, que perdi o emprego,

que não vou mais trabalhar.

Mas tenho esposa, dois filhos, e

uma família pra criar.

 

Lembro da Justiça, que pode até demorar,

mas não falhar: assim sempre ouvi!

Se a Constituição protege meu emprego,

do que terei medo???

 

Inciso I do artigo sétimo,

norma constitucional, direito fundamental.

Talvez seja fácil retornar ao meu emprego

e viver no meu habitat natural.

 

Ledo engano, resposta negativa.

Me disseram até que o direito existe,

mas não fora regulamentado.

E eu? Mais uma vez frustrado!

 

Mas não desisto, me falaram de uma

certa “lei” internacional.

Convenção, recomendação, não sei bem o que.

158, me lembro bem, documento essencial.

 

Ainda não foi desta vez.

Ratificada, aprovada, publicada.

Mas, pouco tempo depois,

optaram por denunciá-la.

 

É, não tem jeito, o que me resta é aceitar

que existe um tal de um direito potestativo de dispensar.

E, como tal, resta a nós, como de forma natural,

simplesmente aceitar.

 

Mais um trabalhador desempregado, mais um pai

de família angustiado.

Bolsa-família, seguro-desemprego, até ajudam,

mas continuará faltando algo: o meu trabalho.

 

Trabalho que dignifica, que torna cidadão.

Trabalho que purifica, que faz encontrar a razão.

Trabalho que quero, trabalho que preciso.

Trabalho que tinha, mas, não sei porque, tive perdido!

 

Guarajuba, 17 de março de 2013.

 

(*) Danilo Gonçalves Gaspar é Mestre em Direito Privado e Econômico (UFBA). Pós-Graduado em Direito e Processo do Trabalho (Curso Preparatório para Carreira Jurídica JUSPODIVM Salvador/BA). Bacharel em Direito (Faculdade Ruy Barbosa Salvador/BA). Advogado. Sócio e Professor do Práxis Centro de Estudos/FMB Salvador. Professor de Direito do Trabalho da Universidade Salvador - Unifacs e da Faculdade Baiana de Direito - FBD. Professor da Pós Graduação em Direito e Processo do Trabalho do Curso Preparatório para Carreira Jurídica JUSPODIVM Salvador/BA. Professor da Pós Graduação em Direito e Processo do Trabalho da Faculdade Ruy Barbosa. Professor da Pós Graduação em Direito e Processo do Trabalho da Fundação Faculdade de Direito da Bahia - UFBA. Professor da Pós Graduação em Direito e Processo do Trabalho da Faculdade Baiana de Direito - FBD. Membro do Instituto de Direito Desportivo da Bahia - IDDBA.

 

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